Em tempos de crise na economia mundial, o momento vivido pelos grandes fabricantes automotivos é de buscar alternativas para tentar minimizar o impacto nas contas. E a Ford do Brasil aposta no segmento de carga, mais precisamente de vans. E o modelo que marca a estréia da empresa nesse mercado é o utilitário Transit, que chega ao mercado nacional, vindo da Turquia, na segunda quinzena de janeiro nas versões furgão curto ou longo, voltadas para o transporte de carga, e outra para passageiros.
Sucesso na Europa desde 1965, a Transit é líder de vendas em seu segmento, com 19% de participação. Ao longo de sua história o modelo acumula mais de cinco milhões de unidades vendidas. Há cerca de um ano, a Ford expôs a veículo na 17ª edição do Salão Internacional do Transporte (Fenatran), realizada em São Paulo, e já acenava com o início de sua importação para o País. Avaliamos a Transit para passageiros em um pequeno percurso estabelecido pela Ford, na cidade de Atibaia, interior de São Paulo, e pudemos sentir como anda o veículo e qual é a sensação de ir no banco do passageiro.
ESTILO
Ao apresentar a Transit, a Ford enfatizou a idéia de que o furgão possui mesmo estilo e nível de conforto dos automóveis de passeio. E este conceito pode ser visto já na parte frontal do veículo, que adota a atual filosofia estética da marca, a Kinetic Design, assim como toda a carroceria. Os faróis dianteiros lembram bastante os utilizados na atual geração do sedã Fusion. A Transit Van, avaliada pelo Carsale, tem 5,68 metros de comprimento, 3,75 m de entreeixos e pode transportar 14 ocupantes, sendo 13 passageiros e o motorista. Os assentos são divididos em cinco fileiras, na configuração 2+1, que facilita o acesso pelo corredor e possibilita a entrada e saída dos passageiros também pela porta traseira. Um importante destaque deste modelo é a presença dos cintos de segurança de três pontos em todos os bancos.
Por chegar mais tarde a esse segmento, a Ford disponibiliza na Transit vários itens de série para conquistar seu espaço. A lista inclui freios ABS nas quatro rodas com distribuição eletrônica de frenagem (EBD), controles de estabilidade (ESP) e de tração, direção hidráulica, airbag para o motorista e passageiro da frente, além de sistema de assistência em rampas (HLA), que impede o veículo de avançar ou recuar em aclives ou declives. Para o melhor aproveitamento da parte interna, o veículo possui compartimentos embutidos no painel com apoio para copos e garrafas, além de um suporte para pastas dentro do porta-luvas. Também de série são oferecidos vidros elétricos, travamento das portas, duas tomadas de 12 volts e rádio AM/FM com entrada auxiliar e controles instalados na barra de direção. A Transit Van vem ainda com ar-condicionado dotado de saídas independentes na parte traseira.
Para o transporte de carga há duas configurações de carroceria disponíveis: o furgão curto mede 4,86 m de comprimento e entreeixos de 2,93 m, e é capaz de acomodar um volume de 7,5 m³ e suportar 1.400 quilos. Já o furgão longo mede 5,58 m de comprimento, tem entreeixos de 3,75 m, teto mais alto (1,88 m ante 1,74 m da versão menor), e abriga 11,3 m³ de carga ou 1.420 quilos. Ambas contam com os mesmos itens de série oferecidos na Van, à exceção do ar-condicionado. Os furgões ainda trazem uma superfície que pode ser usada para apoiar notebooks.
DESEMPENHO
O motor que equipa todas as versões da Transit é o turbodiesel Duratorq de 2.4 litros TDCI Puma. Acoplado a uma caixa de transmissão de seis marchas, única no segmento, ele pode desenvolver 115 cavalos de potência máxima a 3.500 rpm e torque de 31,5 kgfm, entre os 1.750 e 2.000 giros. Na Europa, a Transit é oferecida nas opções com tração dianteira ou traseira. Para o Brasil, a marca decidiu só importar os modelos impulsionados pelas rodas traseiras. De acordo com o diretor de Operações de Caminhões da Ford, Oswaldo Jardim, a escolha foi feita pela melhor aplicação deste tipo de tração ao relevo brasileiro. O veículo ainda traz sistema duplo de baterias, em que uma é utilizada apenas para que o motor seja ligado – por meio de uma chave à prova d'água – enquanto a outra alimenta os equipamentos elétricos.
Ao conduzir a Transit pelo curto e estreito percurso fechado em Atibaia (SP), o veículo mostrou boas respostas à aceleração e torque, bastante exigido em subidas. Situação que conta com a ajuda do sistema HLA, que imobiliza o veículo, assim como ocorre nos carros equipados com câmbio automático. O dispositivo também atua quando a marcha a ré é engatada. Já a direção hidráulica proporcionou bom esterçamento em curvas mais fechadas. O banco do motorista possui apoio para braço e ajuste de altura. O volante, por sua vez, não vem com regulagem e o posicionamento dos espelhos retorvisores é manual e exige que o motorista estique o braço para fora do veículo. O painel de instrumentos traz computador de bordo, que somente tem a função de sinalizar quando o veículo precisa ser reabastecido.
Para conseguir o corredor de circulação mais largo, a Ford teve de diminuir o tamanho dos bancos de passageiros. O espaço para as pernas pode não ser suficiente para pessoas mais altas e, com isso, o conforto acaba comprometido. Em contrapartida, a suspensão da Transit se mostrou bem firme e não deu os famosos 'pulos' durante o trajeto, comuns a veículos deste segmento, mesmo nas últimas fileiras. A segurança é garantida pelos cintos de três pontos e pelas barras verticais que auxiliam a entrada e saída do veículo. Em caso de emergência, os ocupantes podem utilizar um martelo e quebrar o vidro localizado no teto. Como não possui nenhuma espécie de anteparo, este item não impede a passagem da luz do sol, e a claridade que invade a cabine chega a incomodar os passageiros.
MERCADO
Com o lançamento da Transit, a Ford pretende comercializar 2.900 unidades no próximo ano e alcançar 11% de participação no mercado nacional. Segundo números fornecidos pela marca, nos últimos anos houve um crescimento de 74% nas vendas do segmento. O salto foi ainda maior nos emplacamentos das vans de passageiros: 106%. De acordo com o gerente de Marketing de Caminhões da Ford, Cláudio Terciano, a expectativa é de que estes números aumentem ainda mais devido à restrição de circulação de veículos pesados nos grandes centros urbanos.
A Ford Transit furgão curto (7,5m³) chegará aos distribuidores da marca com preço sugerido de R$ 83.990, enquanto o furgão longo (11,3m³) será oferecido por R$ 93.290. Já a van de passageiros custará R$ 103.990. A versão de entrada da Transit tem preço superior ao do Fiat Ducato (R$ 74 mil), líder nas vendas do segmento. No entanto, a Transit tem um pacote de equipamentos de série maior que o modelo italiano. E esta vem a ser a grande aposta da Ford para alcançar seus objetivos e enfrentar, além da Ducato, a Renault Master, a Mercedes-Benz Sprinter, o Citroën Jumper e o Peugeot Boxer.
Embora possua uma política especial para atendimento a frotistas, a Ford espera que 90% das vendas da Transit sejam para o varejo. É esperar para ver se o consumidor escolherá mais conforto ou menor preço.
Texto: Daniel Magri